13 de Janeiro
Quando Deus Quebra Nossos Planos
Nesse tempo não havia rei em Edom; um vice-rei governava.
Há algo profundamente desconfortável em ver nossos projetos fracassarem. Naquele tempo, o rei Salomão enviou suas naus a Ofir e voltaram carregadas de ouro. Seu sucessor, Josafá, tentou a mesma empreitada, mas suas embarcações naufragaram em Eziom-Geber. Dois reis, o mesmo negócio, o mesmo lugar—mas resultados opostos. A pergunta que fica é: por que Deus prosperou a um e frustrou o outro?
Spurgeon nos convida a algo revolucionário: bendizer ao Senhor tanto pelas naus quebradas quanto pelos navios que retornam cheios de tesouro. Isso vai contra nossa natureza. Invejamos os bem-sucedidos e murmuramos contra nossas perdas, como se fôssemos singularmente punidos. Mas Josafá era precioso aos olhos do Senhor, ainda que seus esquemas terminassem em decepção. Aqui está a verdade que precisamos absorver: o favor de Deus não se mede pelo sucesso de nossos projetos, mas por nossa posição em Cristo.
O que Spurgeon revela a seguir é ainda mais penetrante. A causa real do fracasso de Josafá não foi falta de inteligência ou esforço—foi uma aliança comprometida. Ele se havia unido a Acazias, um rei perverso. E o Senhor, em ato de paternidade amorosa, quebrou seus trabalhos. O profeta declarou: "Porquanto te associaste com Acazias, o Senhor desfez as tuas obras." Essa é a advertência que ecoa através dos séculos para os filhos de Deus: cuidado com as alianças erradas. Casamentos com quem não compartilha sua fé, parcerias comerciais com princípios duvidosos, amizades que o afastam de Jesus—tudo isso tem um preço. Josafá aprendeu. Após esse episódio, recusou-se a enviar seus servos nos mesmos navios dos servos do rei perverso. Que nós aprendamos antes que Deus precise quebrar nossas naus.
Oração
Pai, reconheço que frequentemente julgo Tua bondade pelos sucessos que obtenho. Perdoa-me por invejar os bem-sucedidos enquanto murmuro contra minhas perdas. Concede-me sabedoria para discernir minhas alianças—nos relacionamentos, nos negócios, nos círculos que frequento. Se alguma parceria me afasta de Jesus, quebra-a, por favor, ainda que doa. Eu prefiro as naus destruídas agora a uma vida de distanciamento de Ti. Enche-me com tal amor por Cristo que eu seja santo, inofensivo e separado, como Ele foi. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.