16 de Fevereiro
A Arte de Aprender a Contentação
Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre.
Paulo nos ensina algo profundo nessas palavras: a contentação não é natural em nós. Observe como a ganância, o descontentamento e as reclamações brotam naturalmente do coração humano, como ervas daninhas em um campo abandonado. Ninguém precisa ensinar uma criança a queixar-se ou a invejar o que os outros têm—isso acontece automaticamente. Mas as coisas preciosas da vida exigem trabalho. Se queremos trigo, é preciso arar e semear. Se desejamos flores, precisamos de um jardim bem cuidado. A contentação é como uma flor do céu: não cresce naturalmente em nós, mas deve ser cultivada com dedicação e vigilância constante.
Note que Paulo diz "aprendi"—ele não nasceu sabendo disso. Houve um tempo em que ele também não dominava essa verdade. Custou-lhe esforço, discipline e tempo para alcançar esse estado. Provavelmente teve recaídas, momentos em que pensava ter aprendido mas voltava a se queixar. Quando finalmente pôde dizer com convicção que havia aprendido a se contentar em qualquer circunstância, Paulo era um homem idoso, à beira da morte, preso numa masmorra romana sob o império de Nero. Se um apóstolo precisou de tanto tempo e sofrimento para desenvolver essa graça, como podemos esperar desenvolvê-la sem esforço?
Não caia na ilusão de que a contentação virá sem aprendizado, ou que o aprendizado acontece sem disciplina. Essa não é uma habilidade que exercemos naturalmente, mas uma ciência que adquirimos gradualmente. A experiência confirma isso. Então, deixe de lado essa tendência natural ao murmúrio—sim, ela é natural, mas você pode vencê-la. Torne-se um estudante dedicado na escola da contentação, e descubra como a paz que Paulo encontrou também pode ser sua.
Oração
Pai, reconheço que meu coração naturalmente inclina-se para a insatisfação e o descontentamento. Assim como Paulo, preciso aprender essa lição dia após dia. Ajuda-me a cultivar a contentação como quem cuida de um jardim precioso. Quando a murmuração surgir em mim, concede-me força para resistir. Que eu compreenda que as circunstâncias em que me encontro podem ser o lugar exato onde você quer me ensinar e transformar. Que minha vida testemunhe a paz daquele que aprendeu a estar contente em tudo. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.