22 de Março

Quando Deus nos Encontra no Chão

E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

Jesus se prostrou no Getsêmani com o rosto em terra. Naquele momento de maior angústia, quando enfrentava a cruz que o aguardava, o Filho de Deus mostrou-nos como verdadeiramente orar em tempos de trial. Há lições profundas nessa cena que transformam nossa compreensão sobre a oração.

Primeiramente, Jesus orou sozinho. Afastou-se até dos discípulos mais próximos para estar em silêncio diante do Pai. Você conhece esse tipo de oração? Não aquela feita na família ou na comunidade da igreja—ambas preciosas e necessárias—mas a oração secreta, no quarto fechado, onde nenhum ouvido humano nos escuta. É ali, na solidão com Deus, que nosso incenso mais puro sobe ao céu. Jesus também orou com profunda humildade, literalmente prostrado no chão. Que posição mais eloqüente para um servo diante de seu Mestre! Quando perdemos a humildade na oração, perdemos também o poder. Não temos direitos para exigir nada de Deus, mas temos algo ainda melhor: somos seus filhos. "Abba, Pai"—essa é a chave que abre as portas do céu. Nenhuma condenação, nenhum erro, nenhuma falha pode tirar de você o direito de um filho clamar por seu pai.

Por fim, observamos a perseverança: Jesus orou três vezes. E, mais crucial ainda, sua oração foi uma rendição: "não seja como eu quero, mas como tu queres". Aqui está o segredo. Orar bem não é conseguir que Deus faça o que queremos, mas render-nos ao que Ele quer. Quando deixamos Deus no comando—este Deus sábio que sabe exatamente quando dar, o quê dar e quando reter—então verdadeiramente prevalecemos. Nossa vitória está não em vencer a vontade de Deus, mas em abraçar a dela.

Oração

Pai, ensina-me a orar como Jesus orou. Que eu busque a solidão com você nos momentos difíceis, deixando de lado a necessidade de aprovação humana. Humilha meu coração para que eu desista de exigir respostas e aprenda a confiar em sua sabedoria. Abro mão do que planejei para abraçar o que você tem para mim. Em meu clamor, que haja resignação; em minha busca, que haja entrega. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.