27 de Março

Quando o Medo Nos Faz Fugir

Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então todos os discípulos, deixando-o fugiram.

Naquele momento mais importante da história, quando Jesus mais precisava de seus discípulos, todos o abandonaram. Depois de promessas veementes de que morreriam ao seu lado, a covardia falou mais alto. O medo pelos próprios pescoços superou a lealdade de quem havia visto milagres, ouvido seu ensinamento e comido à sua mesa. Spurgeon via nisto um espelho para cada crente: sem a graça de Deus, somos como ovelhas quando vem o lobo. É fácil prometer fidelidade quando tudo está bem; é bem outra coisa cumprir quando vem a provação.

Mas reflita comigo: onde estariam mais seguros do que perto de Jesus? Ele tinha poder para convocar doze legiões de anjos. Fugiram da verdadeira segurança justamente quando mais a necessitavam. E quantas vezes fazemos o mesmo? Começamos o dia dispostos a confessar nossa fé, a servir com coragem, mas diante do primeiro obstáculo, da primeira crítica, da primeira pressão social — fugimos. Deixamos nosso Senhor sozinho. No entanto, esses mesmos discípulos que tremiam como lebres se tornaram leões após receberem o Espírito Santo. A transformação foi real. O mesmo Espírito que os fez corajosos segue disponível para nós. Não somos condenados a viver na covardia.

O maior peso naquele momento? O próprio Jesus sentia a angústia de ver seus amigos o abandonarem. Era mais uma gota amarga no cálice que beberia. Se também o abandonarmos quando é conveniente, se negarmos nosso Senhor por comodidade ou medo, adicionamos sofrimento desnecessário à sua cruz. Mas aquele cálice já foi drenado. Ele completou a obra. Nossa responsabilidade agora é deixar que o Espírito Santo nos fortaleça para não imitarmos aquele fracasso, mas sim o seu amor incondicional.

Oração

Senhor, reconheço que sem você sou fraco e covarde. Vejo-me nos discípulos que fugiram, e isso me humilha. Mas vejo também o poder do seu Espírito que transformou aqueles homens em mártires. Dou-te permissão para trabalhar em mim essa mesma transformação. Quando vier o medo, quando vier a pressão, que eu não fuja de ti. Antes, que eu te confesse com coragem, ainda que custe. Obrigado por já ter bebido o cálice amargo. Que isso me liberte para viver sem medo. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.