11 de Abril
O Sofrimento Completo do Nosso Senhor
Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
Há um quadro de dor profunda que terra e céu contemplaram: nosso Senhor experimentou fraqueza total, tanto em alma quanto em corpo. Quando a cruz foi fixada, seu peso descomunal provocou violento solavanco. Todos os seus ligamentos foram distendidos, cada nervo foi perfurado, e seus ossos se deslocaram sob a carga cruel. Pelos seis longos horários da crucificação, a tensão aumentava a cada momento. Jesus sentia-se desmaiar, completamente extenuado, reduzido a um ser de pura miséria e agonia. Quando o profeta Daniel viu uma visão aterradora, descreveu assim sua fraqueza: "Não ficou força em mim". Mas quanto mais debilitante deveria ter sido para nosso Senhor quando vislumbrou a ira divina e a sentiu em sua própria alma!
Quando experimentamos sofrimento, geralmente nosso corpo nos poupa através do desmaio ou do entorpecimento. Não assim com Cristo: ele foi ferido e sentiu cada ferida profundamente; bebeu o cálice até o fim e saboreou cada gota amargosa. Essa é a beleza e a verdade de sua redenção: ele não fugiu da dor que nos redime.
Ao contemplarmos nosso Salvador agora entronizado à destra do Pai, devemos lembrar o caminho pelo qual ele preparou esse trono como trono de graça para nós. Convidemo-nos a beber, em espírito, de seu cálice, para que quando chegue nossa hora de aflição, tenhamos força. Assim como seu corpo natural passou pela cruz sem ser vencido, ascendendo à glória e poder, assim também seu corpo espiritual—a Igreja—passará pela fornalha sem nem sequer o cheiro de fogo sobre nós.
Oração
Senhor, ao meditar no teu sofrimento incomparável, meu coração se enche de gratidão e reverência. Tu suportaste agonia que eu nunca compreenderei plenamente, para que eu pudesse ser liberto. Quando enfrentar minhas próprias dificuldades e fraquezas, ajuda-me a lembrar que tu já bebeste o cálice mais amargo. Fortifica-me com essa verdade. Que minha fé não descanse apenas em palavras, mas na realidade do teu amor demonstrado na cruz. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.