15 de Abril

O Grito do Abandono

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?

Naquele momento no Calvário, Jesus experimentou algo que nenhum ser humano pode compreender plenamente. O grito "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" revela o pico do sofrimento do nosso Salvador. Não era apenas a agonia física da cruz, nem somente a vergonha e humilhação públicas que o dilaceravam. O que tornou aquele instante absolutamente devastador foi algo mais profundo: a experiência de ser separado da presença de Deus Pai. Foi o abismo do horror espiritual. Conhecemos momentos em que o brilho da face de nosso Pai parece se obscurecer pelas nuvens e pela escuridão. Há períodos em que nos sentimos distantes de Deus, como se Ele nos tivesse abandonado. Mas precisamos lembrar: Deus nunca nos abandona de verdade. O que experimentamos é apenas um afastamento aparente, uma sombra que passa. Em Jesus, porém, era diferente. Não era ilusão, nem falta de fé. Era uma realidade aterradora: o Pai realmente se afastara de Seu Filho por um tempo, carregando sobre Ele toda a culpa e o peso do nosso pecado.

Quando nós, em momentos de desespero, dizemos "Deus me abandonou", frequentemente falamos por descrença. Mas quando Jesus fez esse grito, pronunciava uma verdade dolorosa. O Pai havia genuinamente se retirado. Por isso, seu sofrimento não pode ser comparado ao nosso. Sim, Deus continua sendo nosso Deus mesmo quando as nuvens cobrem o céu. Sua presença não desaparece só porque não a sentimos. Mas que abismo de angústia deve ter sido para o Filho de Deus experimentar o afastamento real da face do Pai! Se apenas pensar que Deus nos abandonou já nos causa tormento, imagine o que sentiu Aquele que verdadeiramente padeceu essa abandonment para que nunca mais tivéssemos que senti-lo.

Oração

Pai, obrigado por Jesus ter gritado aquilo que eu merecia gritar. Pelo Seu afastamento na cruz, nunca precisarei ser verdadeiramente abandonado. Quando a escuridão vier sobre mim, ajude-me a lembrar que Você segue comigo, invisível mas fiel. Que esse conhecimento, apesar das minhas emoções, enraíze-se profundamente no meu coração. Que eu conheça a paz de Sua presença constante, mesmo nos desertos da vida.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.