30 de Abril

Quando a Queixa Nos Afasta de Deus

E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto!

Há reclamadores entre os cristãos hoje, assim como havia no acampamento de Israel. Quando chega o sofrimento, quando Deus permite a dificuldade, alguns logo questionam: "Por que isso acontece comigo? O que fiz para merecer?" Mas preciso te fazer uma pergunta honesta: acaso Deus te trata mais duramente do que mereces? Lembra-te do que eras antes—um rebelde reconciliado pela graça. Se ele, em sua sabedoria, vê necessidade em te corrigir agora, será justo murmurares? Olha para teu próprio coração. Vê a corrupção que ainda o habita, as ambições egoístas, o orgulho que ressurge. Depois me diz: o fogo é demasiado quente para purificar tanto ouro misturado com tanta escória? Aquele espírito altivo e questionador não prova que ainda há muito a ser refinado em ti?

Mas aqui está a verdade que muda tudo: "Ele não aflige de bom grado, nem entristece os filhos dos homens." Cada correção vem envolvida em amor. Deus não castiga para destruir, mas para purificar e aproximar-te dele. Quando reconheces a mão do Pai naquilo que te dói, algo muda dentro de ti. A Escritura diz que "aquele a quem o Senhor ama, ele o disciplina." Isso não é punição; é paternidade. Se permaneces firme na correção, conhecerás o coração de Deus como filho ou filha, não como escravo. Mas se continuares murmurando, a disciplina se intensificará. A pergunta que fica é: vais render-te à mão amorosa do Pai ou insistirás em lutar contra ela?

Oração

Pai, confesso que meu primeiro instinto é questionar quando sofro. Peço perdão pelos murmúrios que escapam do meu coração antes mesmo de reconhecer tua mão. Ajuda-me a ver cada dificuldade como uma expressão do teu amor paternal, não da tua ira. Que eu tenha coragem de aceitar a correção com dignidade, sabendo que vem daquele que me ama perfeitamente. Que minha submissão não seja resignação amarga, mas confiança genuína. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.