2 de Maio
Permanecer aqui tem um propósito
Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.
Jesus não reza pela nossa morte, mas pela nossa permanência. Quando lemos "Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno", descobrimos algo profundo sobre como Cristo nos vê. Enquanto aguardamos o lar eterno com ele, temos uma missão aqui.
É natural sentir cansaço diante das dificuldades e desejar partir. Quantas vezes, pressionados pelo sofrimento, pedimos a Deus para nos levar? Mas note a diferença: o desejo legítimo de estar com Cristo é diferente do desejo egoísta de escapar do problema. Quando nos machucam as circunstâncias, tendemos a confundir "quero estar com Jesus" com "quero sair dessa situação". Se de verdade tivéssemos fome pelo Senhor, esse anseio seria constante, não apenas nos momentos de tribulação.
Spurgeon nos mostra que Cristo nos deixa aqui propositalmente. Não porque não nos ame ou não deseje nossa companhia, mas porque ainda há trabalho. Somos como o trigo que necessita de tempo para amadurecer completamente antes da colheita. Nossa vida continua sendo necessária para outros—nosso exemplo, nossa fé testada, nosso testemunho valem mais do que um repouso antecipado. O chamado cristão não é escapar do mundo, mas glorificar a Deus enquanto permanecemos nele, mesmo em meio ao cansaço e à luta. Deixemos que Ele determine quando é suficiente. Enquanto isso, que nossa presença aqui seja um reflexo do amor de Cristo.
Oração
Senhor, confesso que há dias em que desejo partir, fugir das minhas dificuldades. Ajuda-me a distinguir entre o legítimo anseio por Ti e o desejo egoísta de evitar o sofrimento. Concede-me graça para permanecer aqui, vivendo de forma que Te glorifique, mesmo quando tudo parece pesado. Que minha vida seja útil para outros e que eu aguarde Teu tempo perfeito com confiança. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.