4 de Maio
Os Deuses que Fabricamos com as Próprias Mãos
Pode um homem fazer para si deuses? Esses tais não são deuses!
Jeremias enfrenta um problema antigo que continua bem vivo entre nós: a idolatria disfarçada. Os israelitas de outrora construíam ídolos de pedra e ouro, e nós também fabricamos nossos próprios deuses, só que com materiais diferentes. Não precisamos de esculturas para isso. Nossos ídolos têm nomes como dinheiro, status, carreira, relacionamentos românticos e até mesmo nossos filhos.
A verdade que o profeta proclama é incômoda: "Pode um homem fazer para si deuses? Esses tais não são deuses!" Aquilo que elevamos ao lugar que deveria ser exclusivo de Deus simplesmente não tem o poder que imaginamos ter. O ouro não satisfaz nosso vazio mais profundo. A admiração dos outros não preenche nosso coração. Os relacionamentos, por mais significativos que sejam, não podem carregar o peso de ser nossa razão de viver. Quando fazemos isso, tornamos ídolos de coisas boas, e isso as estraga e nos estraga também.
O problema é que conhecemos a verdade — temos acesso ao Deus vivo — e ainda assim nos deixamos seduzir por essas falsidades. Não é ignorância; é infidelidade. Sabemos que aquilo em que estamos confiando não merece nossa confiança, mas persistimos. Pode ser um filho querido que cuidamos demais, esperando que ele preencha vácuos que só Deus pode preencher. Pode ser nossa imagem profissional, nosso corpo, nossos bens. O que quer que seja, quando colocamos em primeiro lugar, criamos uma armadilha para nós mesmos e uma tristeza para Deus.
A boa notícia é que reconhecer nossos ídolos é o primeiro passo para abandoná-los. Deus não nos deixa cegos a isso para nos condenar, mas para nos libertar. Ele quer reclamar o lugar que lhe pertence em nosso coração.
Oração
Senhor, abro meu coração e confesso: muitas vezes coloco no Seu lugar coisas que não merecem estar lá. Peço perdão por fabricar deuses com minhas próprias mãos, por buscar em criaturas o que só você pode oferecer. Fortaleça-me para entregar tudo o que amo em Suas mãos — sem apego cego, mas com confiança de que Você cuida melhor do que eu jamais conseguiria. Que meu coração volte para Você.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.