19 de Maio

Quando o Mundo Está de Cabeça para Baixo

Tenho visto servos montados a cavalo, e príncipes andando a pé como servos.

O versículo de Eclesiastes que meditamos hoje descreve algo que nos intriga: servos montados a cavalo enquanto príncipes caminham como escravos. Isso não é ficção. É a realidade que observamos constantemente. Os oportunistas ocupam posições de destaque enquanto pessoas verdadeiramente nobres permanecem na obscuridade. Esse paradoxo nos deixa perplexos, mas é tão comum que não deveríamos nos surpreender se isso acontecer conosco também.

Jesus, o Príncipe dos reis da terra, andou entre nós como servo dos servos. Seus seguidores, que são reis de sangue real em Cristo, naturalmente experimentam desprezo e menosprezoo. O mundo está invertido: os primeiros são últimos e os últimos são primeiros. Veja como os filhos da rebelião prosperam! Haman na corte enquanto Mordecai fica no portão; Davi nas montanhas enquanto Saul reina; Elias na caverna enquanto Jezabel se gloria no palácio. Mas quem gostaria de trocar de lugar com os soberbos? Quem não preferiria estar entre os santos desprezados? Quando a roda da história girar, os mais baixos subirão e os mais altos despencarão. Paciência, crente: a eternidade corrigirá as injustiças do tempo.

Mas há uma aplicação imediata para nossas vidas: não deixemos nossas paixões e desejos carnais reinar como príncipes enquanto nossas faculdades nobres andam na poeira. A graça deve governar como rainha em nosso interior, transformando cada membro do corpo em instrumento de justiça. O Espírito Santo ama a ordem e quer colocar nossos poderes no lugar certo. As faculdades espirituais—aquelas que nos ligam ao grande Rei—devem ocupar o trono. Pedimos, portanto, graça para dominar nosso corpo e trazê-lo à sujeição. Fomos criados para reinar como reis em Cristo Jesus sobre o reino tríplice do espírito, alma e corpo, para glória de Deus Pai.

Oração

Senhor, enquanto vejo a injustiça prosperar neste mundo, ajuda-me a confiar em teu governo justo. Que eu não me deixe vencer pela inveja ou pela amargura. Concede-me paciência para saber que a eternidade revelará tua sabedoria. E nesta vida, que eu permita que tua graça reine em meu coração, subjugando minhas paixões para que meu espírito, alma e corpo sirvam a ti com dignidade. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.