29 de Maio

A Paixão de Cristo pela Justiça

Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.

Há algo notavelmente revelador em observar o que Deus odeia. O Salmo 45:7 nos mostra que Cristo amou a justiça e odiou a iniquidade — e essa não é uma condenação fria e distante, mas uma rejeição apaixonada do mal. Como poderíamos ser genuinamente bons se não odiássemos aquilo que destrói, que mente, que prejudica? Quem verdadeiramente ama a verdade precisa rejeitar todo caminho falso. Observe como Jesus enfrentou a tentação: por três vezes o diabo veio com propostas sedutoras, e por três vezes Jesus respondeu com firmeza: "Afasta-te de mim, Satanás." Seu ódio ao pecado não era apenas teórico — era visceral, ativo, transformador.

Não é que Jesus fosse severo e distante. Pelo contrário: sua indignação contra o pecado frequentemente transbordava em lágrimas de compaixão pelos pecadores. Mas quando confrontou a hipocrisia dos escribas e fariseus, suas palavras foram como um açoite purificador: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque devorais as casas das viúvas." Seu ódio ao pecado era tão profundo que derramou sangue para destruí-lo, morreu para que ele morresse, e ressuscitou para pisá-lo eternamente. O Evangelho que Cristo viveu é irreconciliável com qualquer forma de maldade. O pecado pode se disfarçar em roupas elegantes e usar palavras piedosas, mas os ensinamentos de Jesus — como um chicote limpador — expulsam a desonestidade do santuário e não a toleram na Igreja.

Quanto mais profundo nosso relacionamento com Cristo, mais intenso se torna o conflito entre Ele e o mal em nossos corações. Sua ternura com os pecadores é tão real quanto seu ódio à iniquidade. No dia do juízo, aquele mesmo Jesus que hoje convida pecadores para Si pronunciará palavras terríveis contra o pecado impenitente — não como ruptura com seu ensino, mas como seu prolongamento. Deus o ungiu com óleo de alegria porque nele a justiça e a misericórdia se encontram perfeitas.

Oração

Senhor Jesus, que teu ódio ao pecado se torne também meu ódio. Não quero negociar com aquilo que te crucificou; não quero tolerar em meu coração o que rejeitaste com toda tua alma. Que ao mesmo tempo em que rejeito a maldade, eu seja instrumento de compaixão para com os que tropeçam. Purifica-me como purificaste o templo. Que eu ame a verdade com a mesma intensidade que a amas, não por rigor, mas porque entendo que todo pecado custa sangue inocente. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.