7 de Agosto

Um Amor que Nenhuma Força Consegue Quebrar

Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recâmaras; em ti nos alegraremos e nos regozijaremos; faremos menção do teu amor mais do que do vinho; com razão te amam.

Crentes amam Jesus com uma devoção muito mais profunda do que ousam dar a qualquer outra pessoa. Prefeririam perder pai e mãe a se separar de Cristo. Seguram as comodidades da vida com a mão aberta, mas guardam Jesus trancado no coração. Voluntariamente negam a si mesmos por ele, mas não há força no mundo capaz de levá-los a negá-lo. O amor que se apaga com perseguição é fraco demais; o amor verdadeiro do crente é um rio bem mais profundo. Ao longo dos séculos, homens tentaram afastar os fiéis do Mestre. Nem coroas de honra, nem ameaças conseguiram desfazer esse nó. Nem a satanás, apesar de toda sua astúcia, foi permitido encontrar a chave que abre essa fechadura. Por isso está escrito: "Com razão te amam"—os retos te amam.

Mas há algo ainda mais revelador: medimos a intensidade desse amor não pelo que parece visível, mas pelo que ansiamos alcançar. É nossa lamentação diária não conseguir amar o suficiente. Desejamos que nossos corações fossem maiores, capazes de abraçar mais. Suspiramos dizendo: "Ah, se tivesse amor bastante para envolver a terra e o céu, os céus dos céus e dez mil mundos, para derramá-lo todo sobre Cristo, que é inteiramente formoso!" Mas nossa medida é apenas um palmo de afeto, uma gota de balde comparada ao que ele merece.

Ainde assim, Deus avalia nosso amor não apenas pelo que demonstramos, mas pelas nossas intenções. E que intenção grandiosa é essa! Se pudéssemos reunir todo o amor de todos os corações em um só, seria ainda insuficiente para aquele que é a beleza suprema.

Oração

Senhor, reconheço que meu amor por ti é pequeno demais, minha devoção é fraca demais. Mas aceitas essa sinceridade quando intenciono amarte com tudo que sou. Expande meu coração para que tu ocupes cada canto dele. Quando a vida pressionar, quando o desconforto vier, que eu segure teu nome como tesouro precioso. Aumenta meu desejo de conhecer-te melhor. E mesmo que meu amor nunca chegue a merecer-te, recebe-o como oferenda de quem deseja arder por ti. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.