23 de Agosto
Quando as lágrimas finalmente cessarão
E exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor.
Isaías nos apresenta uma promessa extraordinária: no céu, não haverá mais choro nem clamor. Spurgeon nos convida a refletir sobre o que isso significa profundamente. Os glorificados não choram porque todas as causas externas do sofrimento desapareceram. Não há amizades quebradas, esperanças frustradas, pobreza ou perseguição. A morte, o abandono, a dor física — nada disso existirá mais. Mas há algo ainda mais profundo: eles não choram porque estarão completamente santificados. Sem o pecado que nos afasta de Deus, sem aquele coração descrente que nos torna tristes, os redimidos serão perfeitos diante do trono divino, totalmente conformados à imagem de Cristo. Bem podem deixar de chorar aqueles que deixaram de pecar.
Além disso, toda incerteza desaparecerá. Os que estão no céu conhecem sua segurança eterna — não há risco de queda, nenhuma possibilidade de perder a salvação. Estão dentro de uma cidade que jamais será conquistada, sob um sol que nunca se porá, bebendo de um rio que nunca secará, colhendo fruto de uma árvore que nunca murchará. Enquanto a eternidade durar, sua felicidade permanecerá. Mais ainda: no céu, todo desejo será satisfeito. Os sentidos, a inteligência, a imaginação, a vontade — tudo estará completamente realizado. Receberão aquela alegria infinita de Cristo, aquela plenitude de gozo que nem conseguimos imaginar plenamente aqui. Essa mesma paz permanece reservada para nós. Talvez não esteja tão distante. Logo trocaremos a tristeza pela vitória, e nossas lágrimas se transformarão em pérolas de bem-aventurança eterna.
Oração
Senhor, obrigado pela promessa de um céu sem lágrimas. Hoje, em meio às dificuldades e à incerteza, essa esperança me fortalece. Ajuda-me a crer verdadeiramente que meu sofrimento não é eterno, que você está preparando para mim algo infinitamente melhor. Que essa certeza me console agora e me permita consolar outros que choram. Que eu viva com os olhos fixos na eternidade, sabendo que em breve toda dor terá fim. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.