29 de Agosto
Quando até nossos melhores atos precisam de misericórdia
Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas tansgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
O missionário William Carey, enfrentando uma doença grave, foi questionado sobre qual seria o texto para seu funeral. Sem hesitar, respondeu que desejava apenas estas palavras: "Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias." Mesmo um homem de fé profunda e vida dedicada ao serviço de Deus reconhecia sua completa dependência da graça divina. Essa não era falsa modéstia, mas sim clareza espiritual.
Os verdadeiros discípulos de Jesus entendem algo que os superficiais nunca percebem: quanto mais perto chegamos de Deus, mais conscientes nos tornamos de nossa fraqueza. Um barco vazio flutua alto na água; um carregado de carga afunda profundamente. Da mesma forma, pessoas cheias de si mesmas conseguem fazer muitos barulhos, mas os filhos autênticos de Deus clamam por compaixão até por suas obras mais santas. Precisamos da misericórdia de Deus não apenas para nossos pecados óbvios, mas para nossas orações, nossas pregações, nossas ações de bondade, até para nossas obras mais consagradas. Na antiga aliança, o sangue do sacrifício era espargido não só nas portas das casas, mas no próprio santuário, no propiciatório e no altar—porque o pecado contamina até nossas tentativas mais sinceras de servir a Deus.
Qual alívio imenso saber que existe uma misericórdia inesgotável nos esperando! Uma compaixão sempre pronta para nos restaurar quando tropeçamos, para sarar nossos ossos quebrantados e nos devolver a alegria. A graça de Deus não é um prêmio para os perfeitos; é o alicerce onde até os mais honrados e experientes santos precisam se apoiar.
Oração
Deus misericordioso, reconheço que meus melhores esforços ainda caem curtos diante de sua santidade. Não venho pedindo o que mereci, mas suplicando por sua compaixão. Apaga minhas transgressões e purifique até as minhas obras que julgo mais nobres. Enche meu coração da certeza de que sua graça é inexaurível e sempre está pronta para me restaurar. Que eu viva cada dia consciente de minha dependência de você. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.