16 de Setembro
Participantes da Natureza de Deus
pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.
Quando Pedro escreve sobre sermos "participantes da natureza divina", não está dizendo que nos tornamos deuses. Há sempre uma diferença essencial entre o Criador e a criatura que não pode ser apagada. Mas assim como Adão foi feito à imagem de Deus, nós também somos renovados pelo Espírito Santo de forma ainda mais profunda. Pela graça, nos tornamos semelhantes a Deus. Como Ele é amor, aprendemos a amar. Como Ele é verdade, desejamos viver em verdade. Como Ele é bom, Ele nos capacita a ser puros de coração. Essa transformação não é superficial; é tão real quanto a seiva que flui de uma videira para seus ramos.
Mas há algo ainda mais extraordinário: nos tornamos membros do corpo de Cristo. O mesmo sangue que circula em Jesus circula em nós. A mesma vida que o ressuscitou nos vivifica. Somos tão unidos a Ele que a ligação entre ramo e videira é uma comparação fraca demais. Estamos casados com Cristo, unidos a Ele em espírito de forma tão íntima que é impossível separar o que fomos do que agora somos nele. É um mistério que nossa mente consegue tocar, mas nunca compreender completamente.
Se realmente participamos dessa natureza divina, isso deve ser evidente em como vivemos. Nossa conduta, nossas palavras, nossas escolhas diárias devem refletir essa realidade gloriosa. Não podemos professar uma transformação tão profunda e continuar vivendo como antes da cruz. Aqueles que escaparam da corrupção deste mundo precisam demonstrar isso de forma tangível, através de uma vida verdadeiramente diferente.
Oração
Senhor, reconheço o privilégio extraordinário de ser participante da tua natureza. Obrigado por não me deixar como sou, mas por me transformar através do teu Espírito. Que essa verdade não seja apenas conhecimento, mas se torne evidente em cada atitude, palavra e decisão minha. Ajuda-me a escapar da corrupção que me rodeia e a refletir a santidade e o amor que encontro em ti. Que minha vida seja testemunho dessa graça que me alcançou.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.