7 de Outubro

Quando Deus Permite o Sofrimento

Disse, pois, Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, pois que puseste sobre mim o peso de todo este povo.

Quando nos vemos cercados de dificuldades, é natural questionar: "Por que Deus permite isso comigo?" Moisés fez exatamente essa pergunta, sentindo o peso de uma multidão inteira sobre seus ombros. Mas há uma verdade profunda nessas tribulações que muitas vezes perdemos de vista. Deus não nos aflige por crueldade, mas para purificar nossa fé e forjar nosso caráter. Uma fé que só funciona quando tudo vai bem – quando temos amigos ao lado, saúde no corpo e negócios prósperos – não é uma fé verdadeira. A fé genuína é aquela que permanece firme quando os amigos desaparecem, quando a doença ataca, quando o desânimo toma conta e sentimos o rosto do Pai distante. É a fé que consegue dizer, mesmo na mais profunda angústia: "Ainda assim confio em Deus."

Pense nas analogias mais simples da vida. O ouro só brilha depois de passar pelo fogo; a uva precisa ser pisada para se tornar vinho; a canela necessita ser espremida para liberar seu aroma doce; o carvão deve ser completamente consumido para gerar calor. Se simplesmente deixássemos as cordas da harpa intocadas, nunca ouviríamos sua música. É através das dificuldades que as virtudes de Deus – paciência, perseverança, esperança – crescem em nós. E não apenas isso: as aflições do presente realçam a alegria do futuro. As sombras numa pintura ressaltam a beleza da luz. Você acha que apreciaria verdadeiramente a paz se não houvesse enfrentado conflitos? A alegria do céu será incomparavelmente mais doce porque conhecemos a dor da terra. Portanto, em vez de apenas questionar o sofrimento, convide-se a refletir sobre como Deus o está transformando através dele.

Oração

Senhor, confesso que muitas vezes não entendo suas escolhas. Quando a dor chega, meu primeiro impulso é questionar, assim como Moisés questionou. Mas ajuda-me a enxergar além do momento presente. Fortaleça minha fé durante esses períodos sombrios. Que eu compreenda que você está me refinando, não me punindo. Conceda-me paciência enquanto sou moldado, e esperança de que essa aflição resultará em uma alegria ainda maior. Uso o sofrimento não como razão para duvidar, mas como ocasião para conhecê-lo melhor. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.