26 de Outubro
Quando o Egoísmo Dispersa Nossas Bênçãos
Esperastes o muito, mas eis que veio a ser pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu o dissipei com um assopro. Por que causa? diz o Senhor dos exércitos. Por causa da minha casa, que está em ruínas, enquanto correis, cada um de vós, à sua própria casa.
Há um princípio espiritual que o dinheiro não compra e a ganância não consegue esconder: quem retém tudo para si acaba perdendo. Spurgeon observava em seu tempo o que ainda vemos hoje — pessoas que economizam cada centavo para sua segurança pessoal, negligenciando a obra de Deus, e ao final colhem frustração e vazio. Esperavam muito, diz o profeta, mas veio a ser pouco. Por quê? Porque correram para casa enquanto a casa de Deus estava em ruínas.
Não se trata de uma fórmula mágica onde dar dinheiro garante riqueza. Trata-se de reconhecer que Deus controla as circunstâncias. Ele pode fazer prosperar os planos do generoso ou dispersar os ganhos do avarento com um simples sopro. Os maiores cristãos que Spurgeon conheceu compartilhavam uma característica: generosidade e alegria andavam de mãos dadas com abundância. Ele viu homens liberais subir a uma riqueza que nunca imaginaram, e viu avarentos descer à pobreza justamente pela ganância que os prometia segurança. É um paradoxo do reino: o egoísmo fracassa em seu próprio objetivo.
A questão fundamental é uma questão de confiança. Quando priorizamos a obra de Deus, reconhecemos que Ele é nosso provedor real, não nossos bancos. Quando buscamos primeiro o reino de Deus e sua justiça, descobrimos que tudo o mais é adicionado — não porque o dinheiro seja nosso prêmio, mas porque nosso coração muda de direção. O cristão generoso que pouco tem muitas vezes sente mais contentamento do que o avarento que prospera. Isso não é poesia; é realidade espiritual. Nossas mãos abertas para Deus se tornam as mãos por meio das quais Ele trabalha em nosso favor.
Oração
Senhor, confesso que muitas vezes seguro minhas mãos fechadas por medo. Tenho construído fortalezas de segurança enquanto negligenciei Tua casa. Ajuda-me a enxergar que o verdadeiro ganho não é acumular, mas soltar. Abre meu coração para a generosidade, não porque eu queira ser recompensado, mas porque Tua obra merece minha devoção. Renovo minha confiança em Ti como meu verdadeiro provedor. Que eu corra para Tua causa, não apenas para minha segurança. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.