29 de Novembro
A Língua Que Destrói, A Coragem Que Restaura
Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; nem conspirarás contra o sangue do teu próximo. Eu sou o Senhor.
A fofoca carrega um veneno triplo. Ela machuca quem fala, quem ouve e aquele de quem se fala. Seja a história verdadeira ou falsa, a Palavra de Deus nos proíbe de espalhá-la. As reputações do povo de Deus deveriam ser preciosíssimas para nós. Ajudar na difamação é participar da obra do inimigo contra a Igreja e o nome do Senhor. Muitas línguas precisam ser freadas, não estimuladas. É comum vermos pessoas que se alegram em derrubar irmãos, como se assim se elevassem. A história de Noé nos ensina: seus filhos sábios cobriram a vergonha do pai, enquanto o filho que a expôs recebeu uma maldição terrível. Um dia, talvez, também precisaremos de tolerância e discrição de nossos irmãos. Façamos, então, a regra de nossas vidas: não falar mal de ninguém.
Mas o Espírito Santo nos permite repreender o pecado—desde que feito corretamente. A repreensão deve ser face a face, não pelas costas. Isso exige coragem, é irmandade genuína, é agir como Cristo. Jesus mesmo nos deu o exemplo ao avisar Pedro. Notem a oração que precedeu a advertência, a paciência com a negação arrogante de Pedro. Muitos foram salvos de quedas sérias pela repreensão sábia, amorosa e oportuna de irmãos fiéis. Se a carne se recusa a fazer isso, precisamos obedecer à consciência e ao dever. Calar-se diante do pecado de um amigo é tornar-se cúmplice dele. Há uma diferença abismal entre fofoca covarde e repreensão corajosa. Uma destrói; a outra restaura.
Oração
Pai, reconheço minha tendência de falar sobre o que não deveria. Ajuda-me a guardar minha língua e a proteger a reputação dos irmãos. Ao mesmo tempo, concede-me coragem para repreender com amor quando vir pecado. Não deixe que eu seja cúmplice por silêncio cômodo, nem culpado por fofoca destrutiva. Que minha boca seja instrumento de vida, não de morte. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.