6 de Dezembro

Unido a Cristo em Glória

Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

Há uma verdade que transforma completamente a forma como nos vemos: somos unidos a Cristo não apenas espiritualmente, mas também em natureza e destino. O apóstolo Paulo nos ensina que assim como Jesus é celestial em sua ressurreição, também nós seremos. Essa não é uma união estranha ou contraditória—como aquela estátua no sonho de Nabucodonosor, feita de ouro na cabeça mas de ferro e barro nos pés. A Igreja, corpo de Cristo, é uma unidade perfeita. A cabeça é imortal, portanto o corpo é imortal. Ele vive, e por isso também viveremos. Ele foi aceito pelo Pai, e nós somos aceitos nele. Essa é a base de nossa comunhão mais profunda com Deus.

Pense no contraste impressionante de sua própria condição: você é alguém cuja mortalidade é tão evidente que pode dizer ao pó "você é meu pai" e ao verme "você é minha irmã". Sua fragilidade é inegável. E ainda assim, precisamente porque está unido a Cristo, você pode dirigir-se ao Deus Todo-Poderoso dizendo "Abba, Pai"—e ao Filho encarnado: "você é meu irmão e meu esposo". Essa é uma dignidade que nenhuma linhagem terrena, nenhuma riqueza, nenhuma posição poderia conferir. Pessoas ao redor do mundo se envaidecem de suas famílias ancestrais e suas honras sociais. Mas o crente em Jesus possui uma herança comparativamente infinitamente superior. Não deixe que a indiferença espiritual o afaste desta verdade. Não permita que as vaidades presentes obscureçam essa realidade gloriosa: você está unido ao céu através de Cristo.

Oração

Senhor, obrigado pela graça incompreensível que me une a Jesus. Ajude-me a compreender verdadeiramente o que significa estar incorporado em Cristo—partilhando de sua natureza celestial e de seu destino glorioso. Que essa verdade não seja apenas conhecimento intelectual, mas transforme meu coração todos os dias. Que eu nunca negligencia essa honra celestial em favor das vaidades passageiras deste mundo. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.