20 de Dezembro
O Amor que Dispensa Testemunhas
De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí.
Há momentos em que o Espírito Santo nos concede algo precioso: a certeza absoluta do amor de Jesus por nós. Não é um sussurro vago ou uma esperança distante. É uma convicção tão real, tão tangível, que rivaliza com a segurança de nossa própria existência. O Senhor não se contenta em amar-nos discretamente; às vezes Ele quer que tenhamos a clareza cristalina dessa verdade em nosso íntimo. Essa é a obra especial do Espírito Santo: revelar-nos não conceitos sobre Cristo, mas a realidade viva de seu afeto por nós.
Pense no apóstolo João, recostado no peito do Mestre. Naquele instante, ele não debatia a existência do amor de Jesus; vivia em sua manifestação imediata. O Espírito nos oferece algo semelhante: uma intimidade que silencia as dúvidas. Quando Ele nos toca desse modo, nem um anjo descendo do céu acrescentaria mais certeza. A evidência não vem de vozes do alto ou visões noturnas, mas de uma convicção plantada tão fundo em nosso coração que transcende qualquer dúvida. Muitos dos fiéis que se aproximaram das portas do céu testificam unânimes: experimentaram momentos em que o amor de Cristo não era crença teórica, mas realidade abraçadora.
Você já viveu isso? Aqueles períodos raros quando a presença do Senhor é tão vívida que toda ansiedade se dissolve no calor de seu abraço? Nesses instantes, somos como aquele que finalmente prova o vinho mais doce e compreende por que o salmista canta de alegria indizível. O amor eterno do Pai não é uma doutrina para memorizar, mas uma experiência para saborear. E quando o conhecemos assim, verdadeiramente, nada mais nos rouba a paz.
Oração
Pai, obrigado pela certeza do teu amor. Nem sempre sinto o fervor desses momentos de graça, mas creio neles e desejo experimentá-los novamente. Quando a dúvida vier, lembra-me que teu afeto por mim é tão real quanto eu mesmo sou. Que o Espírito Santo revele continuamente o coração de Jesus para mim, transformando meu medo em repouso e minha ansiedade em louvor. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.