3 de Fevereiro

Devedores da Graça, não da Culpa

Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne;

Somos devedores. Essa palavra pode soar pesada, como um débito que nunca conseguiremos pagar. De fato, como criaturas de Deus, devemos obediência com todo nosso ser. Quebramos seus mandamentos, acumulamos uma dívida imensa diante de sua justiça. Mas aqui está o coração do evangelho: Cristo já pagou essa dívida por nós. Quando disse "Está consumado", ele quitou completamente o que devíamos. A sentença foi rassurada, o registro de nossas transgressões foi destruído. Não devemos mais nada à justiça divina. Cristo satisfez plenamente o que Deus exigia.

Porém, libertados dessa condenação, nos tornamos devedores a algo incomparavelmente maior: a graça. Como não ser devedor ao Deus que entregou seu próprio Filho por você? Como não dever a ele, que continua nos amando apesar de dez mil rejeições nossas? Pense na dívida contraída com seu poder: ele nos tirou da morte espiritual, preservou nossa vida em Cristo, nos protegeu dos mil inimigos que nos cercam. Considere sua fidelidade inabalável—enquanto mudamos constantemente, ele permanece o mesmo ontem, hoje e eternamente. Você está em dívida com cada atributo de Deus: sua soberania, seu amor desinteressado, sua misericórdia, sua força imutável. Essa dívida é tão profunda quanto possível. E há apenas uma forma honesta de saldá-la: entregando-se completamente a ele como sacrifício vivo. Não é uma obrigação penosa. É seu culto racional, sua resposta sensata ao amor que o resgatou.

Oração

Deus, reconheço que sou livre da condenação porque Cristo pagou minha dívida. Mas sou eternamente devedor de sua graça. Ajuda-me a não viver como se nada custasse. Que eu sinta o peso glorioso dessa dívida e responda com minha vida inteira. Que cada ato meu seja um reconhecimento de quanto recebi. Rendo-me a ti como sacrifício vivo. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.