11 de Março
O Perigo de Subestimar o Pecado
Logo o bom tornou-se morte para mim? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte por meio do bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se manifestasse excessivamente maligno.
Quando nos convertemos, nossa consciência está tão sensível que trememos diante do menor deslize. Há uma santidade nesse medo inicial, uma reverência genuína diante de Deus. Mas é triste reconhecer: com o tempo, essa sensibilidade desaparece. O mundo nos torna callosos. Aquilo que antes nos assustava profundamente passa a nos parecer insignificante. É como um ouvido que já ouviu explosões — sons menores simplesmente não o impressionam mais. Começamos a racionalizar: "É apenas um pequeno pecado". Depois vem outro, um pouco maior. Gradualmente, começamos a minimizar o erro, a cobri-lo com palavras bonitas, a nos convencer de que "no geral, estamos bem". Essa é uma armadilha perigosa.
Mas o pecado nunca é pequeno. A Bíblia o chama de "excessivamente maligno" porque seus efeitos são incalculáveis. Aquelas pequenas raposas destroem as vinhas. Uma gota d'água, caindo constantemente, perfura a pedra. Os pequenos cortes derrubam as árvores mais altas. E mais que tudo: foi o pecado — até mesmo o menor deles — que colocou uma coroa de espinhos na cabeça de Jesus e o levou à cruz. Se conseguíssemos pesar o menor pecado na balança da eternidade, fugiríamos dele como de uma serpente venenosa. Portanto, vigie seus pensamentos sobre o mal. Não deixe a familiaridade com o errado transformar sua vigilância em negligência. Veja cada pecado como aquilo que realmente é: o que crucificou o Redentor.
Oração
Pai, confesso que muitas vezes minimizo meus erros, os disfarço com palavras bonitas, finjo que não são tão graves assim. Ajuda-me a recuperar aquela sensibilidade da minha primeira fé. Que eu veja o pecado como você o vê — não como algo pequeno e aceitável, mas como aquilo que feriu Jesus profundamente. Fortaleça minha vigilância, não deixando que a familiaridade com o mal me torne insensível. Por favor, guarde meu coração hoje. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.