16 de Março

Estrangeiro, mas em Boa Companhia

Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas, porque sou para contigo como um estranho, um peregrino como todos os meus pais.

Aquele sentimento de não pertencer? Spurgeon nos diz que é exatamente onde Jesus esteve. Quando o Filho de Deus veio ao seu próprio povo, não foi recebido. Ele era um estranho em seu próprio mundo—não porque houvesse algo errado nele, mas porque o mundo havia se desviado de Deus. Se vivemos a vida de Jesus, é inevitável que também nos sintamos fora de lugar aqui. Nossos valores não combinam com os da cultura ao redor. Nossas prioridades parecem estranhas. A forma como falamos sobre fé, como gastamos nosso tempo, como tratamos as pessoas—tudo isso marca uma diferença incômoda em relação aos que não conhecem a Deus.

Mas aqui está o segredo: não estamos sozinhos nessa estranheza. "Sou para contigo como um estranho", diz o salmista—e essa frase muda tudo. Somos estrangeiros, mas em companhia do próprio Deus. Jesus já caminhou esse caminho de isolamento. Ele entende perfeitamente o que significa estar em um lugar onde você não é bem-vindo, ser incompreendido, ser visto como diferente. E agora ele caminha conosco. Essa não é uma solidão vazia; é uma peregrinação acompanhada.

Quantos de nós desperdiçamos energia tentando encaixar em um mundo que não é nossa casa? O que Spurgeon nos lembra é que nossa verdadeira cidadania está em outro lugar. Podemos soltar as amarras que nos prendem à aprovação humana, aos prazeres que escravizam, ao status que devora. E ao fazer isso, descobrimos algo surpreendente: estamos mais em casa do que aqueles que parecem estar no topo. Porque temos companhia divina. Temos um propósito eterno. E temos a certeza de que isso aqui não é tudo.

Oração

Senhor, obrigado por me fazer estrangeiro neste mundo. Ajuda-me a largar a necessidade desesperada de encaixar, de ser aprovado, de ter o que todos têm. Que eu entenda que minha diferença não é um fracasso, mas um sinal de que pertenço a um reino diferente. Caminhe comigo nesta peregrinação. Quando me sentir sozinho, que eu me lembre de que você já pisou esse caminho. Que a sua presença seja mais real para mim do que a ausência dos outros.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.