30 de Março

Contado entre os Transgressores

Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.

Por que Jesus aceitou ser colocado na mesma lista dos pecadores? Essa atitude extraordinária de humilhação tinha razões profundas. Assim, ele poderia se tornar nosso verdadeiro defensor. Em um julgamento, o advogado precisa estar identificado com seu cliente, compartilhando da mesma condição. Quando somos levados diante da justiça de Deus, Jesus comparece lá também. Ele se apresenta para responder as acusações contra nós. Mostra suas mãos furadas, seus pés marcados, seu lado aberto, e desafia a Justiça divina: "O que têm contra esses pecadores que represento?" Ele invoca seu próprio sangue derramado e, por estar contado entre nós, por compartilhar nosso lugar, o Juiz proclama: "Deixem-nos livres; livrem-nos do poço, porque encontrei resgate para eles."

Mas há algo ainda mais tocante: Jesus foi contado entre os transgressores para que nossos corações se aproximassem dele. Como temer alguém que aparece em nossa própria lista de culpados? Podemos vir com ousadia e confessar nossa culpa. Quem está ao nosso lado não nos acusa, mas nos defende. Ele, o Santo, deixou o rol dos justos e aceitou estar no registro dos malditos. E nós? Nossos nomes foram tirados do livro da condenação e escritos no livro da vida. Houve uma troca perfeita: ele tomou nossa morte e nossa miséria; nós recebemos sua justiça, seu sangue, sua vitória, tudo como presente de graça. Isso não é motivo para alegria profunda? Você está unido àquele que foi contado com os transgressores. Sua salvação é real quando essa verdade transforma sua vida e você passa a viver como nova criatura nele.

Oração

Senhor Jesus, obrigado por ter aceitado estar no lugar dos condenados para nos tirar de lá. Quando me sinto indigno, lembro que você já estava comigo naquela lista de pecadores. Que essa verdade me dê coragem para vir diante de ti sem medo, certo de que sou defendido por quem derramou seu sangue por mim. Que eu viva como liberto dessa condenação e como remido pelo teu sacrifício. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.