2 de Abril

O Poder do Silêncio de Jesus

E Jesus não lhe respondeu a uma pergunta sequer; de modo que o governador muito se admirava.

Quando Jesus compareceu diante de Pilatos, ele tinha a oportunidade perfeita para se defender. Tinha palavras poderosas para convencer, argumentos para comover. Afinal, era aquele que "ninguém jamais falou como este homem". Mas diante das acusações, Jesus não respondeu a uma pergunta sequer. Seu silêncio causa espanto até hoje.

Por que Jesus escolheu calar? Talvez porque sabia que nenhuma palavra sua poderia defender adequadamente quem carregaria os pecados do mundo. Não havia defesa possível para uma culpa que não era sua, mas que ele voluntariamente assumia em nosso lugar. Seu silêncio revelava a completude de sua entrega: nem mesmo para salvar sua própria vida interferiria em seu sacrifício. Como um cordeiro diante dos tosquiadores, permanecia calado. O próprio profeta Isaías havia predito isso: "Como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante os que a tosquiam, não abriu a boca."

Há uma sabedoria profunda nesse silêncio que os apóstolos e mártires compreenderam bem: às vezes, a resposta mais poderosa é o repouso na verdade. Quando se fala a mentira, a defesa alimenta o conflito. Mas quem repousa na verdade pode permitir-se ficar em paz. Os primeiros cristãos não convenceram o Império Romano com discursos eloquentes, mas com morte serena. Como uma bigorna que silenciosamente esmaga inúmeros martelos sob seus golpes, Jesus com seu silêncio consumou nossa redenção. Seu repouso em Deus era mais eloqüente que mil palavras. E continua sendo.

Oração

Senhor Jesus, seu silêncio diante de Pilatos me fala mais profundamente que qualquer argumento. Ensina-me quando devo falar e quando devo descansar na tua verdade. Que eu não precise defender a ti nem a mim mesmo com palavras vazias, mas que minha vida inteira seja testemunho do teu amor silencioso. Que eu encontre, como tu, sabedoria no repouso e força na entrega. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.