3 de Abril

O Cordeiro Que Carrega Nossos Pecados

Então lho entregou para ser crucificado.

Quando lemos que Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, estamos diante de uma cena de completa exaustão. Jesus havia passado a noite inteira em agonia, foi levado a Caifás de madrugada, depois arrastado de Pilatos para Herodes, e de volta para Pilatos novamente. Sem repouso, sem alimento, sem misericórdia. E ainda assim, aqueles que o condenaram não lhe permitiram um único momento de descanso. Levaram-no, carregando a cruz, para a morte. É um cortejo de dor que deveria fazer qualquer coração sensível chorar.

Mas há algo profundo nesta cena que o Antigo Testamento já havia anunciado através do bode expiatório. Você se lembra? O sumo sacerdote colocava as duas mãos sobre a cabeça do animal, confessando todos os pecados do povo, transferindo toda a culpa para aquele bode. Depois, um homem designado o levava para o deserto, carregando consigo os pecados da nação inteira, para que nunca mais fossem encontrados. Agora, em Jesus, vemos esse símbolo se tornando realidade. Ele foi apresentado aos sacerdotes e líderes que o condenaram como culpado. Mas aqui está o mistério: Deus colocou sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele se tornou pecado por nós. Como nosso substituto, carregando nossos pecados nos ombros, representados pela cruz, Jesus é o grande bode expiatório sendo levado pelas mãos da justiça.

A pergunta que Spurgeon nos faz é pessoal e direta: você tem certeza de que ele carregou seu pecado? Quando você olha para a cruz nos ombros de Jesus, você reconhece seus próprios pecados ali? Há um único jeito de saber: você colocou a mão sobre sua cabeça e confessou seus pecados a ele? Você confiou nele como seu salvador? Se sim, então seus pecados não repousam mais sobre você. Foram completamente transferidos para Cristo. Ele os carrega nos ombros como um fardo mais pesado que qualquer madeira.

Oração

Senhor, quando olho para Jesus carregando a cruz, reconheço meus próprios pecados. Agradeço porque ele os tomou sobre si, libertando-me da culpa e da condenação. Ajuda-me a viver em gratidão profunda por esse amor incomparável. Que eu nunca esqueça o preço que ele pagou pela minha redenção. Que meu coração transborde em adoração àquele que me redimiu. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.