30 de Julho

O Choro que Transforma

Nesse instante o galo cantou pela segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que lhe dissera Jesus: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E caindo em si, começou a chorar.

Pedro não conseguia mais olhar para aquela noite de forma seca e distante. Toda vez que se lembrava de suas negações — a voz do galo, o olhar de Jesus, suas próprias mentiras — as lágrimas voltavam. Alguns acreditam que esse choro acompanhou Pedro por toda a vida. Não é difícil entender: seu pecado havia sido grave, mas a graça de Deus nele operou uma transformação profunda.

Nós, que fomos alcançados pela redenção, conhecemos esse mesmo padrão. Recordamos nossas promessas arrogantes: "Vou segui-lo aonde for, aconteça o que acontecer." Depois nos vemos negando aquilo com nossas ações, nossas palavras, nossas escolhas. Quando comparamos quem prometemos ser com quem realmente temos sido, as lágrimas vêm naturalmente. Pensar em nossos pecados — o contexto em que caímos, as justificativas que inventamos, as mentiras que reafirmamos uma e outra vez — revela nossa dureza de coração. Como não chorar diante disso? Como não transformar nosso coração em um lugar de arrependimento sincero?

Mas há algo mais profundo nessas lágrimas de Pedro: ele se lembrava também do olhar de Jesus. Após aquele galo cantar, o Senhor o olhou — não com ira, mas com compaixão, tristeza e amor infinito. Esse olhar nunca saiu da memória de Pedro. Foi mais poderoso que mil sermões. E quando Pedro se recordava do perdão completo que recebeu, de ter sido restaurado plenamente ao seu lugar de discípulo, as lágrimas fluíam ainda mais. Ofender alguém tão bom, receber perdão tão completo — isso deveria nos manter em choro contínuo de gratidão. Senhor, quebre nossos corações de pedra para que as águas do arrependimento e da alegria corram livres.

Oração

Senhor Jesus, olho para meu próprio coração e vejo as vezes que neguei você com meus atos, minhas palavras, meu silêncio. Como Pedro, preciso de lágrimas de arrependimento genuíno. Mas também preciso sentir aquele seu olhar misericordioso, aquele amor que não me rejeita mesmo em minha falha. Amoleça meu coração endurecido. Faça-me capaz de chorar pelo meu pecado, mas também de receber seu perdão tão completo quanto Pedro recebeu. Restaure-me. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.