31 de Julho

A Habitação de Cristo em Nós

eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim.

Se Cristo realmente habita em nossos corações, que privilégio extraordinário nos foi concedido! Não é como uma comunicação difícil e distante, através de mares revoltos e caminhos perigosos. É como dois amigos que moram na mesma casa, ou um marido que nunca se ausenta. Jesus não apenas nos ouve de longe — ele vive conosco. Ele escolheu fazer sua morada em corações simples e humildes. Isso significa que temos acesso permanente a ele, não através de uma fresta estreita, mas por portas amplamente abertas. Que loucura seria negligenciar essa comunhão contínua que nos é oferecida!

Quando pensamos bem no significado de "eu neles" — essas palavras de Jesus em João 17:23 — compreendemos uma realidade que deveria transformar nosso dia. Ele não está distante, esperando que o encontremos com dificuldade. Ele está em nós, próximo, acessível, desejoso de conversa. Se um casal vivesse separado por causa de uma longa jornada, seria natural que passassem tempo sem se comunicar. Mas quando moram juntos, como poderiam ignorar-se? Da mesma forma, tendo Cristo tão perto, tão íntimo, seria absurdo não buscarmos sua companhia constantemente. Ele é nosso irmão, nosso esposo, nossa própria carne. O convite está permanentemente aberto: senta-te à sua mesa, busca-o com liberdade, abraça-o com confiança. A comunhão profunda com ele não é privilégio apenas de santos distantes — é o direito e a alegria de todo aquele que crê.

Oração

Senhor Jesus, abro meus olhos para a realidade de que você habita em mim. Não deixe que eu viva como se você estivesse distante. Encho-me de gratidão pela intimidade que você oferece — não por portas fechadas, mas por uma comunhão aberta e permanente. Ajuda-me a procurar você hoje não por obrigação, mas por amor. Que eu aprenda a conversar com você como quem fala com alguém presente. Que essa verdade revolucione minha fé. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.