17 de Outubro

Quando a Fé se Esquece do Histórico

Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, perecerei ainda algum dia pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; assim escaparei da sua mão.

Davi estava cercado pelo medo. Depois de ser ungido pelo profeta Samuel como futuro rei de Israel, ele havia experimentado uma longa série de livramentos milagrosos. Deus o havia tirado das mãos de leões e ursos, o havia protegido em combates impossíveis, o havia ocultado em cavernas enquanto Saul o perseguia. Mas agora, cansado e desesperado, Davi olhou para tudo aquilo e pensou: "Vou morrer pelas mãos de Saul. Não há esperança."

E aqui está o trágico da situação: Davi simplesmente esqueceu de seu próprio histórico com Deus. Ele olhou para trás e não viu um padrão de fidelidade divina, mas viu apenas ameaças. É como se folheasse suas memórias buscando uma única página que comprovasse que Deus o abandonaria—e não encontrasse nada. Mesmo assim, suas emoções o convenceram de que dessa vez seria diferente.

Não fazemos exatamente o mesmo? Quantas vezes duvidamos da bondade de Deus sem qualquer razão sólida? Ele nos tem sustentado em crises anteriores, nos tem guiado por caminhos onde parecia não haver caminho, nos tem consolado em noites escuras. Nosso Deus nunca falhou com aqueles que confiam nele. Talvez tenhamos atravessado seis dificuldades diferentes, e em cada uma dele provou sua lealdade. Por que, então, na sétima dificuldade, começamos do zero, como se toda a história anterior não existisse?

O chamado hoje é simples: confie em seu histórico com Deus. Olhe para trás com honestidade e reconheça os livramentos que recebeu. Não há evidência que justifique a desconfiança. Há sim um registro claro, um padrão consistente de um Deus que nunca o desamparou. Não seja injusto consigo mesmo: não duvide sem razão de Quem foi tão fiel.

Oração

Pai, reconheço que muitas vezes deixo o medo apagar minhas memórias de fidelidade sua. Quando chego em um novo vale, esqueço dos montes que você já me fez subir. Perdão pela desconfiança que não tem fundamento. Hoje escolho olhar para trás e ver claramente: você nunca falhou comigo. Resgata minha fé dessa incredulidade vã. Resgata-me do medo que esquece de quem você é. Que eu caminhe seguro na sétima provação, porque você foi fiel nas seis anteriores. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.