15 de Novembro

Somos a Herança do Senhor

Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.

Quando o salmista diz que "a porção do Senhor é o seu povo", está declarando uma verdade que deveria nos deixar maravilhados: nós somos o que Deus escolheu para si. Mas como isso é possível? Spurgeon nos lembra que tudo começa com a escolha soberana de Deus. Ele nos elegeu não porque visse algo de bom em nós, não por antever mérito algum em nossas vidas. Simplesmente nos escolheu porque quis. Essa eleição não depende de nós, mas da sua misericórdia inalterável. Não éramos dignos, mas fomos escolhidos assim mesmo.

Porém, não somos apenas propriedade de Deus por escolha. Fomos comprados por um preço inimaginável: o sangue precioso de Jesus Cristo. Diferente de qualquer compra que conhecemos, essa transação foi feita de forma pública e irrevogável. O Senhor não deixa de contar as ovelhas pelas quais derramou sua vida. Cada um de nós foi resgatado individualmente, marcado pelo seu sacrifício. Nenhuma reivindicação rival pode contestar o direito que Deus tem sobre seus filhos. Somos sua propriedade redimida para sempre.

E há ainda uma terceira dimensão nessa verdade: somos conquistados por seu amor. Antes de nos rendermos a Cristo, éramos fortalezas fechadas contra Deus. Mas ele não desistiu. Com paciência de guerreiro, ele colocou a cruz contra nossos muros e, pela força da sua misericórdia, conquistou nossos corações. Quando enfim capitulamos, compreendemos que essa derrota é na verdade a maior vitória de uma vida. Escolhidos, comprados e conquistados—esses títulos que Deus tem sobre nós nos liberta para ser verdadeiramente seus, servindo-o com alegria todos os dias.

Oração

Senhor, que privilégio indescritível ser parte da tua herança! Obrigado por me escolher sem que eu merecesse, por pagar meu resgate com o sangue de Jesus e por não desistir de mim até que meu coração se rendesse. Que eu viva cada dia consciente dessa realidade: sou teu. Que essa certeza me guie nas minhas decisões, me console nas angústias e me inspire a servir-te com gratidão genuína. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.