16 de Novembro
O Senhor é minha completa herança
A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.
Quando o salmista declara "A minha porção é o Senhor, diz a minha alma", ele não está dizendo que o Senhor é apenas parte de sua herança, ou que Deus está incluído em suas posses. Não. O próprio Deus é tudo aquilo que sua alma necessita e deseja. Dentro dessa realidade está contida toda a riqueza que possuímos ou almejamos. Não é apenas a graça de Deus, nem somente seu amor ou suas promessas. É o próprio Senhor que se torna nossa herança completa. Deus nos escolheu para ser sua porção, e nós o escolhemos para ser a nossa. Esse é um privilégio extraordinário: aquele que é absolutamente suficiente em si mesmo escolheu viver em relacionamento conosco.
A razão pela qual podemos descansar nessa verdade é profunda. O Senhor é tudo o que necessitamos porque é tudo para si mesmo. Enquanto os homens passam a vida inteira perseguindo mais e mais—sempre insatisfeitos, sempre buscando algo além do que possuem—descobrimos que em Deus encontramos plenitude. O salmista questiona: "Quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti." Essa não é uma renúncia tristonha, mas uma alegria genuína. Quando experimentamos a presença de Deus como nossa verdadeira herança, somos libertos da ganância sem fim. Nossas vidas transbordam de contentamento, e esse contentamento é contagiante. Quando o mundo nos vê vivendo em paz, sabendo que Deus é suficiente, muitos perguntam: "Qual é o segredo dessa alegria?" Essa é nossa oportunidade de compartilhar que encontramos em Deus tudo aquilo que realmente importa.
Oração
Senhor, reconheço que muitas vezes busco satisfação em lugares errados, perseguindo coisas que nunca saciarão meu coração. Hoje, quero renovar minha escolha: você é minha porção, minha herança verdadeira. Ensina-me a confiar em sua suficiência, não apenas com minhas palavras, mas com minha vida inteira. Que minha alegria em ti seja um testemunho vivo para aqueles ao meu redor. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.