18 de Novembro
Guardado por Deus, Selado Eternamente
Jardim fechado é minha irmã, minha noiva, sim, jardim fechado, fonte selada.
Quando lemos em Cantares que o jardim é "fechado" e a "fonte selada", Spurgeon nos convida a refletir sobre o mistério da vida espiritual transformada. Essa imagem oriental fala de um manancial protegido, construído dentro de um palácio, acessível apenas aos que conhecem a entrada secreta. Da mesma forma, quando a graça de Deus nos renova, nossa vida interior torna-se um espaço reservado que nenhuma habilidade humana consegue alcançar. É um segredo que só quem o vive compreende—nem mesmo conseguimos explicar completamente a outros o que experimentamos em nossa relação com Deus.
Mas o selamento vai além do secreto. Denota separação: não somos uma fonte comum, bebida por qualquer transeúnte. Fomos marcados pelo próprio Deus. Essa marca não nos permite sentir-nos à vontade nos prazeres do mundo, pois pertencemos a alguém. Os escolhidos de Deus foram separados desde a eternidade e permanecem separados pela posse de uma vida que outros não têm. Também há a ideia de sacralidade: esse manancial existe para uso especial, preservado para Jesus. Cada cristão deveria saber que leva o selo de Deus, tal como Paulo podia dizer que levava as marcas do Senhor em seu corpo.
E há, ainda, a segurança absoluta dessa verdade. Nem todos os poderes da terra e do inferno conseguem ameaçar aquela vida imortal dentro de você, pois aquele que a deu empenhou sua própria vida por sua preservação. Se Deus é seu protetor, quem poderá efetivamente prejudicá-lo? Você está fechado, selado, seguro em suas mãos.
Oração
Senhor, obrigado por me escolher e marcar com teu selo. Que eu compreenda o privilégio de ser um jardin fechado, protegido sob teu cuidado. Ajuda-me a não temer as pressões do mundo, sabendo que pertenço a ti. Que minha vida reflita essa separação sagrada e que conheça profundamente a segurança de estar nas tuas mãos. Selado por ti, caminho com confiança. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.