26 de Dezembro
O Último Adão e Nossa Nova Identidade
Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante.
Jesus é o representante legal de todos os que nele creem. Assim como Adão foi a cabeça de toda a humanidade sob a lei das obras — fazendo sua justiça e seu pecado pertencerem a toda a raça — Cristo, o Último Adão, é nossa cabeça sob a lei da graça. O apóstolo Paulo nos ensina que fomos constituídos nele desde a eternidade, quando o pacto da graça foi estabelecido e selado. Tudo o que Cristo realizou, ele realizou por nós e para nós.
Pense no significado disso: fomos crucificados com ele, fomos sepultados com ele, fomos ressuscitados com ele e até mesmo exaltados com ele nos lugares celestiais. Não é uma linguagem figurada vaga — é uma realidade espiritual profunda. Porque estamos unidos a Cristo como membros de seu corpo, sua justiça se torna nossa justiça, sua vitória se torna nossa vitória. O Pai nos vê em Jesus, não separados dele. Assim como a desobediência de Adão nos alcançou e nos condenou, a obediência de Cristo nos alcança e nos justifica. Essa é a beleza do evangelho: não estamos sós em nossa luta contra o pecado e a morte. Temos um Representante perfeito que cumpriu toda a lei por nós e ofertou sua vida como nosso Substituto.
Esta verdade mudou vidas ao longo dos séculos. Os cristãos primitivos a chamavam de "troca abençoada" — nós oferecemos nossos pecados, e Cristo nos oferece sua perfeição. Esse sistema de representação e substituição não é apenas a base do evangelho; é a razão de nossa salvação ser certa, nossa justiça ser estabelecida e nosso futuro ser seguro. Quando Deus nos olha, vê a Cristo em nós.
Oração
Senhor, ajuda-me a compreender com profundidade o que significa estar unido a Cristo. Que eu não viva como se fosse separado dele, mas como membro vivo de seu corpo, participante de sua vitória e sua justiça. Livra-me do medo de condenação, pois estou em Jesus. Que essa verdade transforme meu viver hoje e todos os dias. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.