27 de Dezembro

Raízes Genuínas ou Aparência Passageira?

Pode o papiro desenvolver-se fora de um pântano. Ou pode o junco crescer sem água?

O junco é uma planta oca e sem substância – assim como todo aquele que vive de aparências. "Pode o junco crescer sem água?", pergunta Jó. A resposta é não. E isso nos confronta com uma questão pessoal: minha fé é como o junco ou como uma planta verdadeira?

O junco não resiste às tempestades porque é vazio. Do mesmo modo, quem segue a fé apenas por conveniência não resiste às provações. Mas note algo importante: o junco depende completamente das circunstâncias favoráveis. Enquanto há água em abundância, ele floresce. Quando vem a seca, murcha rapidamente. Sua verdura não é genuína – é apenas reflexo do ambiente. E eu? Sirvo a Deus somente quando está na moda, quando a religião é respeitada e lucrativa? Amo o Senhor apenas enquanto recebo confortos e segurança de suas mãos? Se é assim, sou um hipócrita que perecerá quando a morte me privar das comodidades externas.

Mas há um teste: quando os confortos físicos diminuem, quando as circunstâncias são adversas à fé, ainda mantenho minha integridade? Se sim, há esperança de que exista uma genuína vida espiritual em mim. As plantas que o Senhor planta com suas próprias mãos crescem até nos anos de seca. Um homem verdadeiramente piedoso frequentemente floresce justamente quando suas circunstâncias externas decaem. Quem segue Cristo pelo lucro é um Judas. Quem o segue pelos benefícios temporais é filho do engano. Mas quem o segue por amor a ele mesmo – esse é realmente seu. Minha vida verdadeira não está no pântano das aprovações mundanas, mas em Cristo.

Oração

Senhor, examina meu coração hoje. Quero crescer como uma planta autêntica, não como um junco que murcha sem suas circunstâncias favoráveis. Ajuda-me a amar-te por quem tu és, e não pelos benefícios que recebo. Quando as dificuldades vierem, que eu permaneça firme. Quando o conforto diminuir, que minha fé não se desfaça. Enraíza-me em ti, não no favor do mundo. Amém.

Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.