14 de Julho
Não Toque no Altar com Teus Próprios Instrumentos
E se me fizeres um altar de pedras, não o construirás de pedras lavradas; pois se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás.
No Êxodo 20:25, Deus ordena que seu altar fosse construído apenas com pedras brutas, sem qualquer trabalho humano. Essa instrução nos revela algo profundo sobre a natureza da salvação. A sabedoria humana sempre quer "melhorar" as coisas de Deus, aparando as arestas das verdades divinas para que se ajustem melhor aos nossos gostos deformados pelo pecado. Tentamos adicionar nossas obras, nosso arrependimento calculado, nossa suposta bondade natural—como se fossemos capazes de aperfeiçoar o que Cristo já completou na cruz.
Mas aqui está o ponto crítico: quando levantamos nossos próprios instrumentos sobre o altar da graça, não o melhoramos—o profanamos. O coração humano é obstinado em sua arrogância. Quer ter um papel na justificação diante de Deus. Confia em preparações, em humilhações artificiosas, em boas obras como moeda de troca. Mas é uma mentira generosa. Tudo isso apenas manchando o trabalho perfeito de Jesus, que na cruz declarou: "Está consumado." Deus não tolera nem uma marca do nosso cinzel naquilo que sua santidade já completou.
Há uma tremenda presunção em tentar adicionar algo àquilo que Jesus terminou, ou em "melhorar" aquilo em que o próprio Deus está plenamente satisfeito. Muitos de nós, como seguidores de Cristo, caímos nessa armadilha teológica: queremos harmonizar e conciliar as verdades da revelação como se fossem contraditórias, quando na verdade precisamos simplesmente recebê-las como são. As doutrinas da Palavra de Deus são "pedras brutas"—sem o polimento artificial da razão humana—e justamente por isso são apropriadas para um altar dedicado ao Senhor. Nossa tarefa não é reformar; é render-se.
Oração
Senhor, perdoa-me por tentar colocar minhas mãos naquilo que já está completo em Cristo. Quantas vezes tentei adicionar minhas obras, meu esforço, minha retidão artificial ao que Jesus já realizou na cruz? Ajuda-me a soltar esses instrumentos que carrego. Quero deixar de lado essa arrogância que quer melhorar o que você já tornou perfeito. Que eu simplesmente descanse em Jesus, meu altar, minha expiação completa. Que eu receba suas verdades tal como se apresentam, sem tentar esquadrinhá-las ou reformá-las. Amém.
Adaptado de C. H. Spurgeon, "Morning and Evening" (1865, domínio público), modernizado para leitura contemporânea.